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Telefone de disco: como funcionava e por que marcou época

Leitura de 6 min

Você ainda lembra do ruído do disco voltando devagar, depois de cada número discado? Esse som fez parte da vida de muita gente. Hoje, basta tocar na tela e a ligação sai. Antigamente, era preciso girar, esperar e ter paciência. E, por trás desse gesto simples, havia uma engenharia curiosa.

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De onde veio o telefone de disco

O telefone foi patenteado por Alexander Graham Bell, em 1876. No começo, não havia disco nem teclas. Quem queria falar levantava o fone e pedia a uma telefonista que fizesse a ligação. Ela ficava diante de um painel cheio de fios e conectava, à mão, uma linha à outra.

A ideia de dispensar a telefonista veio de Almon Strowger, dono de uma funerária nos Estados Unidos. No fim do século XIX, ele criou um sistema automático de comutação, isto é, de ligação entre linhas.

O disco giratório surgiu pouco depois, para que o próprio assinante enviasse o número desejado à central.

O que acontecia quando você girava o disco

Cada furo do disco correspondia a um algarismo. Ao girar até o limite e soltar, o disco voltava sozinho, em uma velocidade controlada por um pequeno mecanismo interno. Durante esse retorno, o aparelho interrompia a corrente elétrica da linha em pequenos pulsos.

O número 1 gerava um pulso. O 2, dois pulsos. E assim por diante, até o zero, que gerava dez. A central contava esses pulsos e, nas primeiras versões, movia peças mecânicas para encontrar o destino da chamada.

Por isso, números com muitos noves e zeros demoravam mais para ser discados. Quem tinha um número assim sabia bem o que era esperar.

Por que o telefone funcionava sem tomada

O aparelho de mesa antigo recebia energia pela própria linha telefônica. A central enviava a eletricidade necessária para a voz ser transmitida. Por isso, em geral, o telefone fixo continuava funcionando mesmo quando faltava luz em casa. Em dias de tempestade, isso era um grande alívio.

Para tocar a campainha, a central mandava um sinal elétrico mais forte, que fazia um pequeno badalo bater em sinos metálicos dentro do aparelho. Aquele toque inconfundível, portanto, era mecânico. Não havia circuito de música nem alto-falante, apenas metal batendo em metal.

Ter uma linha telefônica no Brasil de antigamente

O interesse pelo telefone chegou cedo ao país. Dom Pedro II conheceu o invento em uma exposição nos Estados Unidos, em 1876, e as primeiras instalações no Rio de Janeiro surgiram ainda no fim daquela década.

Mesmo assim, durante muito tempo, ter telefone em casa foi difícil. A rede crescia devagar e as linhas eram poucas. Muitas famílias esperavam anos por uma instalação. A linha chegou a ser tratada como um bem de valor: era comprada, vendida e fazia parte do patrimônio de muita gente.

A situação mudou de forma mais clara depois da privatização do setor, em 1998, quando a oferta de linhas aumentou bastante. Pouco depois, o celular se espalhou e ganhou o país.