O cafezinho oferecido na visita, na padaria ou no trabalho parece tão brasileiro que é difícil imaginar o país sem ele. Mas o café não é uma planta daqui. Ele chegou de fora, cresceu devagar e, em pouco mais de cem anos, mudou a economia, as cidades e o modo de vida do país.
Vamos conhecer essa trajetória com calma, apenas com os fatos mais seguros.
De onde vem o café
O café tem origem na África, em regiões onde hoje fica a Etiópia. Dali, o hábito de beber a infusão dos grãos torrados passou para a Península Arábica e, depois, para a Europa.
Existe uma lenda famosa sobre um pastor que teria notado o efeito da planta nas cabras. É uma história bonita, mas sem comprovação, e deve ser lida como lenda.
O que se sabe é que, por séculos, o café foi cultivado em poucas regiões. Os países europeus passaram a levar mudas para suas colônias, tentando produzir por conta própria.
A chegada ao Brasil
A versão mais aceita diz que as primeiras mudas de café chegaram ao Brasil em 1727, ao Pará. Quem as trouxe foi o militar Francisco de Melo Palheta, que voltava de uma viagem à Guiana Francesa, território vizinho onde o café já era cultivado.
A história de como ele conseguiu as sementes tem várias versões e não vale a pena tratá-las como certas.
O café plantado no Pará se espalhou aos poucos pelo Maranhão e por outras regiões do Norte e Nordeste. Mas foi no Sudeste que a planta encontrou condições mais favoráveis e se transformou em força econômica.
A expansão pelo Sudeste
No século XIX, as lavouras se multiplicaram pelo Rio de Janeiro e, em seguida, pelo Vale do Paraíba, região entre o Rio e São Paulo. Em poucas décadas, o café passou a ser o principal produto de exportação do país.
Ao longo desse século, o Brasil se tornou o maior produtor mundial, posição que mantém até hoje.
Depois, as plantações avançaram para o interior de São Paulo, onde o solo escuro e fértil, conhecido como terra roxa, favoreceu as lavouras. As cidades cresceram junto com elas, e muitas fortunas e famílias tradicionais nasceram dessa riqueza.
O lado difícil da história
É importante lembrar que esse crescimento teve um custo humano enorme. Nas fazendas de café do século XIX, grande parte do trabalho era feita por pessoas escravizadas. A escravidão só foi abolida no Brasil em 1888. Falar do café com respeito inclui reconhecer essa parte da história.
Depois da abolição, as fazendas passaram a receber muitos imigrantes, principalmente da Itália, que vinham trabalhar nas lavouras paulistas. Esse movimento também marcou a cultura, a culinária e as famílias de muitas cidades do país.
Ferrovias, portos e cidades
Para levar o café das fazendas até o porto, foi preciso criar caminhos. A ferrovia que ligava Santos a Jundiaí foi inaugurada em 1867 e ajudou a escoar a produção do interior paulista. O porto de Santos tornou-se o grande ponto de saída do produto.
Com o tempo, a economia do café financiou bancos, comércio, novas estradas e o crescimento de São Paulo. Por isso, o café é visto como um dos motores do desenvolvimento do Sudeste.